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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Avaliação da Função Hepática em Cães e Gatos. ___ Quais exames recomendados e porquê.


O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?

A dosagem da AST e ALT, conhecidas antigamente como TGO e TGP, são ferramentas essenciais para o diagnóstico das doenças do fígado. Neste texto vamos explicar o que significa cada elemento do chamado hepatograma.

O que é o hepatograma?

Chamamos de hepatograma o conjunto de elementos dosados no sangue que fornecem indicações sobre o funcionamento do fígado. Por isso, o hepatograma pode também ser chamado de provas de função hepática.

O hepatograma consiste no doseamento das seguintes substâncias:

AST (aspartato aminotransferase) e ALT (alanina aminotransferase), antigamente chamada de TGO (transaminase glutâmica oxalacética) e TGP (transaminase glutâmica pirúvica), respectivamente.
Fosfatase alcalina
GGT ou Gama GT (Gama glutamil transpeptidase)
Bilirrubinas (direta, indireta e total)
TAP (tempo de protrombina ativada) ou TP (tempo de protrombina) e INR
Albumina
LDH (lactato desidrogenase)




Em geral, nos pacientes assintomáticos e sem doença do fígado conhecida, apenas os 4 primeiros costumam ser solicitados. São exames de rastreio para se identificar alguma doença oculta do fígado e/ou das vias biliares. Já naqueles sabidamente com problemas hepáticos, a dosagem de todos os itens se faz necessária para uma melhor avaliação da função do fígado.

Vamos então falar detalhadamente de cada item:

1- Transaminases (ALT e AST) ou ( TGO e TGP)

As transaminases ou aminotransferases, são enzimas presentes dentro das células do nosso organismo, sendo responsáveis pela metabolização das proteínas. As duas principais aminotransferases são a AST (aspartato aminotransferase) e ALT (alanina aminotransferase).

Estas enzimas estão presentes em várias células do nosso corpo e apresentam-se em grande quantidade no hepatócitos (células do fígado). O fígado é o órgão responsável pela metabolização de todas as substâncias presentes no sangue.

A AST (TGO) está presente também nas células dos músculos e do coração, enquanto que a ALT (TGP) é encontrada quase que somente dentro das células do fígado. A ALT, é portanto, muito mais específica para o fígado que a AST.




Toda vez que uma célula que contenha AST ou ALT sofre uma lesão, essas enzimas "vazam" para o sangue, aumentando a sua concentração sanguínea. Portanto, é fácil entender porque doenças do fígado, que causam lesão dos hepatócitos, cursam com níveis sanguíneos elevados de AST (TGO) e ALT (TGP).

Como as duas enzimas estão ricamente presentes nas células do fígado, as doenças deste órgão cursam com elevação semelhantes tanto da AST quanto da ALT.

As principais doenças que causam elevação das transaminases são:

- Hepatites virais e bacterianas
- Cirrose
- Esteatose hepática
- Lesão hepática por drogas e medicamentos (hepatite medicamentosa)
- Insuficiência cardíaca
- Isquemia do fígado (hepatite isquêmica)
- Câncer do fígado

Valores até 3x maiores que o limite são inespecíficos e podem inclusive significar lesão de outros órgãos que não o fígado. Lesões musculares e hipotireoidismo são causas de pequenas elevações, principalmente na AST. Lesões restritas as vias biliares também podem cursar com pequenos aumentos das transaminases, normalmente associada a grandes elevações da GGT e FA (explico mais adiante).

Lesões até 8x maiores que o valor limite, sugerem doença hepática, porém, só pelo valor não é possível distinguir qual a causa mais provável.

Transaminases maiores que 1000 U/L são geralmente causadas apenas por hepatites virais, hepatites por drogas (mais comum é intoxicação por paracetamol) ou hepatite isquêmica.

É importante salientar que é perfeitamente possível ter uma doença hepática crônica e possuir transaminases normais. Portanto, a ausência de alterações na AST e ALT não descarta doenças do fígado.

A LDH é uma enzima presente em vários tecidos do corpo. Nos casos de lesão hepática, seus valores também aumentam. Ela, porém, é muito menos específica para o fígado do que a AST e ALT. Mas é sempre mais um dado a ser levado em conta.

2- Fosfatase alcalina (FA) e Gama GT (GGT)

Enquanto as transaminases são usadas para se avaliar lesões das células do fígado, a fosfatase alcalina e a Gama GT são enzimas que se elevam quando há lesão das vias biliares.

Repare na ilustração abaixo. O fígado produz a bile, que é drenada pelas vias biliares. A árvore biliar nasce dentro do fígado e sua ramificações terminam se juntando, formando um ducto biliar comum, já fora do fígado, chamado de colédoco.



Clique na imagem para ampliá-la
A GGT e a fosfatase alcalina são enzimas presentes nas células das vias biliares, e analogamente à AST e ALT, a lesão dessas células causa a elevação de suas enzimas no sangue.

Porém, a GGT e a FA não são tão específicas para as vias biliares quanto a AST e, principalmente, a ALT para o fígado. A fosfatase alcalina pode ser encontrada em grande quantidade em vários outros órgãos, principalmente nos ossos, placenta e intestinos. A Gama GT também encontra-se no coração, no pâncreas e no próprio fígado.

Em geral, o que sugere lesões das vias biliares é a elevação concomitante de ambas enzimas. As principais patologias que cursam com elevação conjunta de GGT e fosfatase alcalina são:

- Obstrução das vias biliares
- Cirrose biliar primária
- Colangite (infecção das vias biliares)
- Câncer das vias biliares
- Drogas (corticóides, barbitúricos e fenitoína)

Doenças do fígado que causem lesão das vias biliares intra-hepáticas podem cursar com elevação da AST, ALT e também de GGT e FA. Do mesmo modo, obstruções das vias biliares que cursem com lesão do fígado também podem se apresentar com elevação das 4 enzimas.

3- Bilirrubinas

As bilirrubinas são restos da destruição das hemácias velhas e defeituosas pelo baço. A bilirrubina produzida no baço é transportada pelo sangue até o fígado, onde é processada e eliminada na bile. A bile é jogada no intestino, participa da digestão, e posteriormente é eliminada nas fezes (daí a cor marrom das fezes).

A bilirrubina do baço é chamada de bilirrubina indireta, enquanto que a transformada no fígado é a bilirrubina direta.

Nas análises de sangue conseguimos dosar os dois tipos de bilirrubina. De acordo com o tipo que se apresenta aumentado, podemos ter idéia da sua causa.

Se, por exemplo, temos alguma doença que aumente a destruição das hemácias (hemólise), teremos um aumento da bilirrubina indireta no sangue. Do mesmo modo, se o nosso fígado encontra-se doente e não funciona bem, a transformação de bilirrubina indireta em direta fica prejudicada, causando o acumulo da primeira.

Por outro lado, temos os casos em que a bilirrubina é transformada em direta, mas o fígado não consegue eliminá-la, fazendo com a mesma se acumule no sangue. Isto pode ocorrer no casos de obstrução do colédoco, seja por pedra ou por neoplasias. Em casos de hepatite aguda pode ocorrer edema das vias biliares intra-hepáticas e dificuldade das células do fígado em excretar a bilirrubina direta.

A bilirrubina total é a soma da direta com a indireta. Toda vez que seu valor sanguíneo for maior que 2 mg/dL, o paciente costuma apresentar-se com icterícia, a manifestação clínica da deposição de bilirrubina na pele.


Icterícia. Pele e olhos amarelados por deposição de bilirrubina.

Quando a icterícia ocorre por aumento da bilirrubina direta, isso significa que a mesma não consegue chegar aos intestinos. É comum que as fezes fiquem bem claras, quase brancas, pela falta de excreção do seu pigmento.

4- Outras dosagens da prova de função hepática

Uma vez estabelecido o diagnóstico de lesão no fígado, é possível ter uma idéia do grau de falência hepática. As duas principais dosagens para esse fim são a Albumina e o TAP / TP. Tempo de protrombina (TP) ou tempo de atividade da protrombina (TAP)

A albumina é um proteína produzida no fígado e a queda nos seus valores sanguíneos podem indicar má função hepática.

Do mesmo modo, o fígado também participa na produção de vitamina K que está envolvida no processo de coagulação do sangue. Pessoas com falência hepática apresentam maior dificuldade em coagular o sangue, o que pode ser aferido pela dosagem do TAP (TP) .


Autor do artigo

Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002.

Leia o texto original no site MD.Saúde: O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA? http://www.mdsaude.com/2009/12/ast-alt-tgo-tgp.html#ixzz1h1QbI9af

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eletrorretinografia em Cães e Gatos

ELETRORRETINOGRAFIA

Por jak
05 de September de 2008
ELETRORETINOGRAFIA

A eletroretinografia (ERG) é a avaliação gravação da atividade eletrofisiológica na retina em resposta a estimulação da luz e dentre as indicações para a realização deste exame nos animais, podemos citar:

1. Avaliação pré-operatória da função retineana antes da cirurgia de catarata. Infelizmente, muitos cães com catarata podem possuir ser portadores de degeneração progressiva da retina (atrofia). Nos casos aonde temos uma lente muito opaca tornando a fundoscopia inviável, o exame de ERG é muito importante para avaliarmos o potencial de visão deste paciente. Deve-se salientar que mesmo nos casos aonde temos uma retina doente, a cirurgia de facoemulsificação está indicada com o intuito de preservação do globo ocular e para prevenir-se o desconforto e dor causado por oftalmopatias graves induzidas pela catarata, como a uveíte e o glaucoma. É importante notar que mesmo na presença da catarata (ou de uma opacidade na córnea), a luz atinge a retina para causar uma resposta e permitir sua avaliação através da ERG. Esta também é a razão pela qual o reflexo pupilar fotomotor pode ser incitado em pacientes com catarata. Se o fundo do olho contra-lateral puder ser avaliado oftalmoscopicamente, um teste do ERG para detecção de atrofias de retina hereditárias é desnecessário, pois tal oftalmopatia é bilateral.

2. Diagnóstico das doenças retineanas em que nenhuma anormalidade oftalmoscópica é evidente. Estas incluem estágios iniciais de degeneração retineana progressiva, como hemeralopia (diminuição ou perda da visão diurna) em Malamutes do Alasca e da degeneração retineana súbita adquirida (SARD). Em todas estas doenças existem anormalidades na ERG, mesmo que o fundo do olho pareça normal na fundoscopia.

3. Diferencial entre causas retineanas e pós retineanas de cegueira. Por exemplo, os casos de SARD e de neurite ótica podem similarmente apresentar-se com perda aguda da visão, uma aparência da retineana normal e com midríase fixa. Um ERG pode ser usado para o diferencial, pois nos casos de SARD (que é uma doença retineana) teremos um traçado anormal, enquanto que na afecção do nervo ótico o exame será normal por tratar-se de uma doença pós-retineana.

4. Diagnóstico precoce de atrofias hereditárias de fotoreceptores. Em algumas raças do cão, a ERG pode detectar alterações retineanas bem antes que os sinais oftalmoscópicos ou alterações de comportamento sejam observados. Por exemplo, no Poodle Standard, no Cão d'água Português e no cocker Spaniel americano e inglês, as alterações no ERG podem ser notadas anos antes do aparecimento de sinais clínicos. Este diagnostico precoce é de suma importância para criadores que desejam pesquisar a presença de doenças retineanas hereditárias em suas matrizes.

A realização do exame de ERG

Embora a ERG seja um procedimento não invasivo, os pacientes devem ser anestesiados para reduzir interferências elétricas e artefatos de movimento. A luz para estimulação é colocada perto do olho, e as respostas aos flashes de luz são gravadas usando 3 eletrodos. O eletrodo ativo (da gravação) é acoplado geralmente a uma lente de contato colocada na córnea. Dois outros eletrodos são colocados na pele para reduzir a interferência elétrica.

Baseado na indicação clínica para a ERG, dois protocolos de gravação são utilizados nos animais. O primeiro é o rápido, protocolo “sim-não”, usado para demonstrar a função retineana. Este é realizado para descartar-se a presença de SARD ou no pré-operatório da facoemulsificação para cirurgia de catarata. Este é um teste breve, que grava a resposta a 2 ou 3 flashes de luz. Para a detecção precoce ou para a avaliação de doenças hereditárias dos fotorreceptores, um protocolo mais exaustivo é necessário. Este protocolo envolve um teste amplo dos cones e bastonetes, baseado em suas características fisiológicas diferentes. Algumas das propriedades do fotorreceptor que são avaliadas ao longo deste teste detalhado incluem:

• Resposta à luz fraca (visão escotópica), que é uma característica da função dos bastonetes e a resposta aos flashes de luz forte (visão fotópica), que indica a função dos cones.

• Estimulação da cor: os cones são mais responsivos à luz vermelha, enquanto os bastonetes são mais responsivos a estimulação da luz verde ou azul.

• Adaptação: Uma vez que as luzes da sala de exame são desligadas, um processo de adaptação ao escuro começa. Com tempo, a sensibilidade dos bastonetes aumenta e isto é expresso pelo aumento da amplitude do sinal gravado em resposta à luz fraca. Ao contrário, quando ascendemos as luzes da sala ocorre uma adaptação ao claro, assim os bastonetes saturam e não respondem a luz.

• Resposta à cintilação luminosa: a detecção de flashes claros depende da freqüência em que o estimulo cintila. Bastonetes podem detectar a luz piscar em uma freqüência < 10 Hz, enquanto os cones detectam 30 – 70 Hz (dependendo da espécie). Além destes limites, os fotorreceptores não podem detectar os flashes individuais e suas respostas fundem-se (isto explica porque nós vemos uma imagem contínua na nossa televisão, mesmo que esta imagem seja em flashes).

Estes testes mais apurados da função retineana são usados para a detecção de várias afecções dos fotorreceptores nas diferentes raças, incluindo a degeneração de cones em Malamutes do Alasca, a degeneração progressiva de cones e bastonetes em Poodles e Cockers, a degeneração de cones e bastonetes tipo I no Setter Irlandês, a tipo II em Collies, etc.

Os sinais gravados da ERG são analisados avaliando a amplitude e a latência (sincronismo) de dois componentes principais: a onda “A” é a primeira deflexão negativa do sinal, e é indicativa da resposta do fotorreceptor. É seguida por um pico grande, positivo, a onda “B”, que é gerada na camada intermediária da retina (bipolar e células de Müller).







É importante lembrar que a ERG tem diversas limitações. Primeiro e mais importante é que a ERG é um teste da função retineana e não da visão. Consequentemente pode ser normal em alguns casos de cegueira. Por exemplo, a ERG é normal nos casos de cataratas maduras, mesmo que o paciente seja funcionalmente cego. É também normal nos casos de cegueira pós-retineana, como nos casos de neurite ótica ou cegueira cortical (amauroses). Tais casos são melhor avaliados gravando-se o potencial evocado visual (PEV), que representa a resposta cortical aos flashes de luz; estes são gravados colocando os eletrodos ativos na cabeça e sobre o córtex visual. Uma outra limitação da ERG é o fato que representa uma resposta retineana global, sendo assim não pode ser usada para diagnosticar áreas focais de disfunção (escotomas). Finalmente, como a ERG grava a resposta das células fotorreceptoras, ela é normal no glaucoma, que é uma doença retineana de sua camada interna. Estas duas últimas limitações podem ser superadas usando-se um equipamento especializado de ERG, a ERG focal e a ERG de teste padrão, respectivamente. Entretanto, tal aparelho não está em utilização rotineira na oftalmologia veterinária.

Sendo assim veterinário, se estas limitações forem levadas em consideração e se o teste for realizado de acordo com o protocolo formal, a ERG pode ser uma ferramenta poderosa no diagnóstico das doenças retineanas.

Trabalho traduzido pelo acadêmico André Eschholz durante o período de estágio curricular obrigatório no Hospital Veterinário São Bernardo / Instituto de Oftalmologia Veterinária de Curitiba (IOVC) em Agosto de 2007.



Referência:

World Small Animal Veterinary Association World Congress Proceedings, 2006

Ron Ofri, DVM, PhD, DECVO
Koret School of Veterinary Medicine, Hebrew University of Jerusalem
Rehovot, Israel

Fonte: http://www.vetweb.com.br/vetweb/

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